Americana e Ourinhos decidem a Liga Nacional de Basquete Feminino 2008. Nas semifinais, o primeiro eliminou Santo André e o segundo deixou Catanduva para trás. Na noite de 15 de dezembro, os times disputam o terceiro de cinco jogos que apontarão o vencedor.
A situação para o time da casa é pouco animadora. Ourinhos vencera as duas últimas partidas, e restava mais um triunfo antes do título. Nos últimos momentos do jogo, emoção.
Falta. Dois lances livres. Americana, que chegou a ficar 17 pontos atrás no placar, arremessa e faz o ponto de número 74. Faltam apenas seis segundos para o fim do jogo. A equipe adversária, com 73 pontos, pede tempo.
O time visitante tenta sua última jogada, mas não acerta. Fim de jogo.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Last but not least: Vicky Cristina Barcelona
Ainda que filmes depois de duas ou três semanas em cartaz não pareçam mais tão atrantes, não deixei de assistir à nova produção de Woody Allen, o longa Vicky Cristina Barcelona.
Lendo as críticas já pude conhecer todo o enredo -- que não é lá muito complexo. Ainda assim, o filme me pareceu interessante e minha atenção foi tomada o tempo todo. Como os críticos de cinema já haviam me precavido, o papel de Penélope Cruz recebe destaque, ainda que não seja a protagonista.
Quero dizer que recomendo, é isso! Nada de cair no clichê que têm sido as críticas sobre este longa. Basta!
Lendo as críticas já pude conhecer todo o enredo -- que não é lá muito complexo. Ainda assim, o filme me pareceu interessante e minha atenção foi tomada o tempo todo. Como os críticos de cinema já haviam me precavido, o papel de Penélope Cruz recebe destaque, ainda que não seja a protagonista.
Quero dizer que recomendo, é isso! Nada de cair no clichê que têm sido as críticas sobre este longa. Basta!
PUTA MUNDO INJUSTO, MEU!
Não demora muito pra gente entender na pele aquela frase de mãe: o mundo é injusto. Realmente, é uma sacanagem atrás de outra. Na faculdade, professores displicentes, autoritários e burros, o que dói ainda mais.
No dia-a-dia de consumidor, conflitos e desgate em cada compra/contratação de bens/seviço de grandes empresas. Quem nunca teve problemas com a Net, com a Telêfonica, com a Tim ou com o Terra que levante a mão -- eu já tive com todos.
Em casa, as brigas com pais e irmãos até parecem divertidas perto de tanto aborrecimento. É o cara que quase te atropela na rua, o motorista do ônibus que finge não ter visto você acenar, o comerciante que dá troco errado -- pra menos, claro.
No momento de lazer, a TV que não conhece outra palavra que não Madonna -- gosto dela e do que ela representa, mas isso é outra história. Os noticiários que aborrecem muito e informam bem pouco. As manchetes de revista? Repetitivas e desinteressantes. Vai ao cinema pra assistir ao Brad Pitt levando tiro na cabeça, tanto humor negro sem graça...
Enfim, descobre-se que as pessoas podem ser más, que não pensam duas vezes antes de te dar uma rasteira, e que além de tudo, o lazer vem enlatado e com gosto péssimo.
PUTA MUNDO INJUSTO, MEU!
E a solução? Não sei dizer, mas vale entrar no orkut e receber belas e tocantes palavras de consolo:
Sorte de hoje: Muitas das grandes realizações do mundo foram feitas por homens cansados e desanimados que continuaram trabalhando.
Afinal, como não ser alguém cansado e/ou desanimado diante de tudo isso?
No dia-a-dia de consumidor, conflitos e desgate em cada compra/contratação de bens/seviço de grandes empresas. Quem nunca teve problemas com a Net, com a Telêfonica, com a Tim ou com o Terra que levante a mão -- eu já tive com todos.
Em casa, as brigas com pais e irmãos até parecem divertidas perto de tanto aborrecimento. É o cara que quase te atropela na rua, o motorista do ônibus que finge não ter visto você acenar, o comerciante que dá troco errado -- pra menos, claro.
No momento de lazer, a TV que não conhece outra palavra que não Madonna -- gosto dela e do que ela representa, mas isso é outra história. Os noticiários que aborrecem muito e informam bem pouco. As manchetes de revista? Repetitivas e desinteressantes. Vai ao cinema pra assistir ao Brad Pitt levando tiro na cabeça, tanto humor negro sem graça...
Enfim, descobre-se que as pessoas podem ser más, que não pensam duas vezes antes de te dar uma rasteira, e que além de tudo, o lazer vem enlatado e com gosto péssimo.
PUTA MUNDO INJUSTO, MEU!
E a solução? Não sei dizer, mas vale entrar no orkut e receber belas e tocantes palavras de consolo:
Sorte de hoje: Muitas das grandes realizações do mundo foram feitas por homens cansados e desanimados que continuaram trabalhando.
Afinal, como não ser alguém cansado e/ou desanimado diante de tudo isso?
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Contratação do Fenômeno, que não demora a se tornar o "Caso Ronaldo"
Não é preciso entender muito de futebol pra saber que a contratação de Ronaldo pelo Corinthians é algo grande, e importante. Para os torcedores, num primeiro momento, é hora de comemorar. Mas será que o Fenômeno realmente irá ajudar a equipe, tecnicamente? A fronteira entre marketing e futebol foi pro beleléu? É o que discute o jornalista Juca Kfouri em seu blog.
A especulação sobre a possível ida do jogador ao time alvinegro parece ter surgido esta manhã. Às 13h, a gazetaesportiva.net já confirmava: Ronaldo estará no Corinthians por pelo menos uma temporada. Mais tarde, no portal UOL, a manchete era outra: Ronaldo acerta, e Corinthians já se prepara para lucrar com o astro.
Não sei se por influência da opinião de Kfouri, mas a notícia atenta para a provável real motivação desse negócio: marketing, na busca de atrair patrocinadores e aumentar a renda do time. Ainda que Ronaldo seja bicampeão mundial pela seleção brasileira; aos 32 anos, voltando de uma lesão, ele talvez não possa fazer muito pelo Corinthians, não em termos de futebol.
A Fiel comemora. E nós esperamos para ver no que vai dar essa história.
Detalhe que me deixou intrigada (na verdade, indignada): Soube da notícia pelo site da GE.net e logo fui conferir o que o UOL havia dado. Eram quase duas da tarde, e a manchete anunciava uma possível contratação de Ronaldo. Não se passaram 3 minutos, voltei ao portal, o título mudara, confirmando o fato. Ao abrir a notícia, a surpresa: o texto datava das 13h05, e só ali no rodapé dizia que havia sido atualizado depois das 14h. Agora eu pergunto, vale dizer que atualizou mesmo que tenha sido mudado todo texto, inclusive o título?
* Texto originalmente postado em bateeblog.blogspot.com
A especulação sobre a possível ida do jogador ao time alvinegro parece ter surgido esta manhã. Às 13h, a gazetaesportiva.net já confirmava: Ronaldo estará no Corinthians por pelo menos uma temporada. Mais tarde, no portal UOL, a manchete era outra: Ronaldo acerta, e Corinthians já se prepara para lucrar com o astro.
Não sei se por influência da opinião de Kfouri, mas a notícia atenta para a provável real motivação desse negócio: marketing, na busca de atrair patrocinadores e aumentar a renda do time. Ainda que Ronaldo seja bicampeão mundial pela seleção brasileira; aos 32 anos, voltando de uma lesão, ele talvez não possa fazer muito pelo Corinthians, não em termos de futebol.
A Fiel comemora. E nós esperamos para ver no que vai dar essa história.
Detalhe que me deixou intrigada (na verdade, indignada): Soube da notícia pelo site da GE.net e logo fui conferir o que o UOL havia dado. Eram quase duas da tarde, e a manchete anunciava uma possível contratação de Ronaldo. Não se passaram 3 minutos, voltei ao portal, o título mudara, confirmando o fato. Ao abrir a notícia, a surpresa: o texto datava das 13h05, e só ali no rodapé dizia que havia sido atualizado depois das 14h. Agora eu pergunto, vale dizer que atualizou mesmo que tenha sido mudado todo texto, inclusive o título?
* Texto originalmente postado em bateeblog.blogspot.com
-- Tem que tomar o jeito de crônica, e não de artigo ou coluna. Senão eu me perco...
A crônica é um gênero sedutor, tanto pela aparente simplicidade como pela riqueza que pode trazer. Texto fácil e gostoso de ler, conteúdo denso (?), seja lá o que isso significa. É o dia-a-dia, o que perturba, o que surpreende e instiga o autor, que por sua vez, tenta causar a mesma sensação em quem lê. Pode abordar um tema, comentar um fato, contar um causo. Pode ser metalíngüistica, assim como esta e tantas outras. O que vale é ser simples e tocante, ser perder a graça da mistura rica entre literatura e jornalismo.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Por favor, jornalistóide não!!!
- Já não consigo mais escrever "através"... Agora substituo sempre por "por meio".
- Não posso ver acentuação que eu considere errada, vírgulas fora de lugar. Pra que separar sujeito e verbo, minha gente?
Outra coisa: abriu o aposto, botou a vírgula, ótimo! Então por que não termina e coloca a vírgula de novo, meu filho?
- E a confusão com "porquê", "por que" e "porque"? Por quê???
- E o "mas" que virou "mais"?
- Conjugar o verbo no subjuntivo, deixa disso, pra quê, né?!
- A reforma ortográfica me dá coceira só de pensar...
- Não consigo escrever sem checar informações, completá-las. É difícil falar sobre um tema sem dar a ficha técnica! E isso dá trabalho, afinal, infelizmente, ao contrário do que nós pensamos, nem tudo está no google!
- A busca por sinônimos é intensa. O dicionário sempre à mão.
- Quando finalmente me livro da mania de escrever diálogos na cabeça enquanto eles acontecem, aparece essa, de pensar a vida como se fosse uma pauta! Tudo pode ser pauta, tudo é passível de se tornar uma matéria! Aquela sensação constante: "onde é que está meu gravador neste momento?", "e o bloquinho?", "e a câmera fotográfica???".
- Quero comentar sobre tudo, mesmo sem entender quase nada...
- Um colega pisa na bola ao escrever? Coitado!
- E as dúvidas? Sobre gramática, sobre jornalismo, sobre qualquer área do conhecimento: simplesmente só aumentam, e muito!
Enfim:
NÃO QUERO SER UMA JORNALISTÓIDE CHATA (seja lá o que isso quer dizer) , QUE SACO!
Mas será que já nasci assim?
- Não posso ver acentuação que eu considere errada, vírgulas fora de lugar. Pra que separar sujeito e verbo, minha gente?
Outra coisa: abriu o aposto, botou a vírgula, ótimo! Então por que não termina e coloca a vírgula de novo, meu filho?
- E a confusão com "porquê", "por que" e "porque"? Por quê???
- E o "mas" que virou "mais"?
- Conjugar o verbo no subjuntivo, deixa disso, pra quê, né?!
- A reforma ortográfica me dá coceira só de pensar...
- Não consigo escrever sem checar informações, completá-las. É difícil falar sobre um tema sem dar a ficha técnica! E isso dá trabalho, afinal, infelizmente, ao contrário do que nós pensamos, nem tudo está no google!
- A busca por sinônimos é intensa. O dicionário sempre à mão.
- Quando finalmente me livro da mania de escrever diálogos na cabeça enquanto eles acontecem, aparece essa, de pensar a vida como se fosse uma pauta! Tudo pode ser pauta, tudo é passível de se tornar uma matéria! Aquela sensação constante: "onde é que está meu gravador neste momento?", "e o bloquinho?", "e a câmera fotográfica???".
- Quero comentar sobre tudo, mesmo sem entender quase nada...
- Um colega pisa na bola ao escrever? Coitado!
- E as dúvidas? Sobre gramática, sobre jornalismo, sobre qualquer área do conhecimento: simplesmente só aumentam, e muito!
Enfim:
NÃO QUERO SER UMA JORNALISTÓIDE CHATA (seja lá o que isso quer dizer) , QUE SACO!
Mas será que já nasci assim?
Drops! Afinal, quem não tem preguiça de se aprofundar num mesmo assunto?
Meu Nome não é Johnny: O filme foi dirigido por Mauro Lima e produzido por Mariza Leão. Atores principais: Selton Mello (surpresa!) e Cleo Pires. O enredo é baseado numa história real, a trajetória do atual cantor e produtor musical João Estrella. O longa convence, ainda mais porque o drama vivido pelo protagonista se aproxima da realidade de muita gente na minha idade. Muita gente que tem acesso ao cinema. Só um problema que me incomodou bastante: o nome. Não porque eu não tenha gostado, pelo contrário, me chamou a atenção. O que decepcionou foi a explicação pra ele -- esperava mais, algo que fosse relevante na trama.
Entreatos: Documentário foi lançado em 2004. Direção de João Moreira Salles. Trata-se dos bastidores da campanha eleitoral de Lula em 2002. Emocionante. Ainda mais pela importância histórica do momento. Membros do PT que a gente ouve falar por causa das brigas que se metiam na ditadura se emocionam com a eleição do líder. Ainda que o Lula tenha decepcionado, tem gente muito pior que poderia estar "comandando" (modo de dizer) este país.
Na fila...
Vicky Cristina Barcelona: Juro que ainda pego nos cinemas! Mesmo que não tenha esperança de ver coisa muita coisa diferente dos outros filmes de Woody Allen. Mas Woody Allen é Woody Allen e ponto (piada interna).
O Povo Brasileiro (Darcy Ribeiro): Sinto vergonha por ter começado a lê-lo e ainda não ter terminado. A linguagem é mais difícil do que a das ficções e bestsellers, mas nenhum bicho de sete cabeças. Promessa para estas "férias" (não estou exatamente de férias, mas finge que é como se fosse).
O Monge e o Executivo (James Hunter): Achei o livro jogado numa prateleira aqui de casa. Comecei a ler por curiosidade, mas ela se extinguiu logo nas primeiras páginas. Já tive minha fase de "vamos ler auto-ajuda", agora não dá mais. Sem contar o nome do autor, James Hunter, ah, vá.
Bravo!: Na espera pela edição de dezembro da revista. A última trouxe reportagens bacanas. Destaque para a entrevista com Saramago! Ele não disse nada que surpreendesse, mas deu depoimentos bonitos e emocionados. O ponto baixo da revista foi a matéria sobre o show do R.E.M. Aliás, nem foi sobre o show. Na tentativa de inovar, creio eu, publicaram uma ficção que tinha como pano de fundo a apresentação. Cansativo, bem pouco explicativo. O autor tentou encaixar as informações sobre o show e sobre a banda nas falas das personagens. Deu aquele sensação de que "ninguém fala assim", sabe?
Bienal de SP: Sofro. Não fui à Bienal e não terei mais chance de ir. Pelo menos não devo ter perdido tanta coisa, afinal, havia um andar todo vazio (brincadeirinha ignorante, mas que é verdade, é verdade).
Entreatos: Documentário foi lançado em 2004. Direção de João Moreira Salles. Trata-se dos bastidores da campanha eleitoral de Lula em 2002. Emocionante. Ainda mais pela importância histórica do momento. Membros do PT que a gente ouve falar por causa das brigas que se metiam na ditadura se emocionam com a eleição do líder. Ainda que o Lula tenha decepcionado, tem gente muito pior que poderia estar "comandando" (modo de dizer) este país.
Na fila...
Vicky Cristina Barcelona: Juro que ainda pego nos cinemas! Mesmo que não tenha esperança de ver coisa muita coisa diferente dos outros filmes de Woody Allen. Mas Woody Allen é Woody Allen e ponto (piada interna).
O Povo Brasileiro (Darcy Ribeiro): Sinto vergonha por ter começado a lê-lo e ainda não ter terminado. A linguagem é mais difícil do que a das ficções e bestsellers, mas nenhum bicho de sete cabeças. Promessa para estas "férias" (não estou exatamente de férias, mas finge que é como se fosse).
O Monge e o Executivo (James Hunter): Achei o livro jogado numa prateleira aqui de casa. Comecei a ler por curiosidade, mas ela se extinguiu logo nas primeiras páginas. Já tive minha fase de "vamos ler auto-ajuda", agora não dá mais. Sem contar o nome do autor, James Hunter, ah, vá.
Bravo!: Na espera pela edição de dezembro da revista. A última trouxe reportagens bacanas. Destaque para a entrevista com Saramago! Ele não disse nada que surpreendesse, mas deu depoimentos bonitos e emocionados. O ponto baixo da revista foi a matéria sobre o show do R.E.M. Aliás, nem foi sobre o show. Na tentativa de inovar, creio eu, publicaram uma ficção que tinha como pano de fundo a apresentação. Cansativo, bem pouco explicativo. O autor tentou encaixar as informações sobre o show e sobre a banda nas falas das personagens. Deu aquele sensação de que "ninguém fala assim", sabe?
Bienal de SP: Sofro. Não fui à Bienal e não terei mais chance de ir. Pelo menos não devo ter perdido tanta coisa, afinal, havia um andar todo vazio (brincadeirinha ignorante, mas que é verdade, é verdade).
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
1968, ah, Zuenir
"1968 - O ano que não terminou"
Zuenir Ventura, 1988
Bem escrito, como é de praxe do autor. Narrador-personagem-ator-escritor-espectador de um dos mais importantes momentos da História brasileira. Zuenir se coloca no meio do olho do furacão, propondo uma análise e narrativa de História recente da qual fez parte, atuando como jornalista. Percebe-se um tom nostálgico, uma saudade de um tempo que não volta mais. De uma gente que parece não nascer mais. De uma coragem que está em falta. Impossível não se questionar sobre o próprio comportamento, sobre a participação política e social. O incômodo é quase que inevitável.
Zuenir Ventura, 1988
Bem escrito, como é de praxe do autor. Narrador-personagem-ator-escritor-espectador de um dos mais importantes momentos da História brasileira. Zuenir se coloca no meio do olho do furacão, propondo uma análise e narrativa de História recente da qual fez parte, atuando como jornalista. Percebe-se um tom nostálgico, uma saudade de um tempo que não volta mais. De uma gente que parece não nascer mais. De uma coragem que está em falta. Impossível não se questionar sobre o próprio comportamento, sobre a participação política e social. O incômodo é quase que inevitável.
domingo, 2 de novembro de 2008
Crítica cede espaço para divulgação no jornalismo cultural
Debate da noite de terça (21-10) destaca o esvaziamento da análise em detrimento à simples promoção dos eventos culturais
Já passava das 19h30 quando Carlos Costa, coordenador do curso de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, chamou à mesa de debate os jornalistas Manuel da Costa Pinto e Heitor Ferraz. A tônica da discussão, que contou ainda com Eduardo Tolentino e Fábio Cardia de Carvalho, foi o papel que o jornalismo cultural exerce hoje.
Os primeiros participantes chamados para a discussão que aconteceu nessa terça-feira (21-10), inaugurando a Semana de Jornalismo no período noturno, falaram sobre a crise do jornalismo cultural, desencadeada pela postura cada vez menos crítica e mais divulgadora que as grandes publicações adotam.
Manuel da Costa é jornalista, trabalha na Folha de S.Paulo, especializou-se em literatura e apresenta semanalmente a coluna Rodapé, e uma vez por mês faz uma lista com livros, CDs e DVDs que recomenda aos leitores do jornal.
Heitor Ferraz é docente da Cásper Líbero, ministra a disciplina Jornalismo Cultural e é também poeta. Juntaram-se aos jornalistas, já depois das 20h, o produtor e compositor musical e publicitário Fábio Cardia de Carvalho e o diretor de teatro Eduardo Tolentino – representando o objeto de crítica do jornalismo, os participantes e produtores da indústria cultural.
Manuel dedica longos minutos para explicar o surgimento e a trajetória da noção de crítica de arte, desde o que considera ter sido seu início – meados do século XVI, com a Revolução Industrial. O jornalista atribui ao surgimento da idéia de individualidade o fator crucial para que aparecessem os intérpretes da arte, que antes seguia modelos estéticos pré-estabelecidos e amplamente conhecidos.
Durante a Antigüidade e a Idade Média, a noção estética pregava a imitação, a emulação como ideal. Seguir modelos considerados nobres e produzir conforme códigos já estabelecidos foram tidos como propósitos dos artistas e escritores até que surge a idéia de individualidade que se sobrepõe ao coletivo.
Com a perda do caráter imitativo, a arte moderna precisa ser interpretada por especialistas, justamente os críticos de arte, que aparecem como tradutores das produções inovadoras, que buscam a ruptura com os modelos – propósitos que se estabelecem a partir da Revolução Industrial.
O que se discute atualmente é o esvaziamento do tom crítico do jornalismo cultural. As causas para o fenômeno foram pouco exploradas pelos debatedores, que se concentraram em esboçar um panorama do trabalho jornalístico na área cultural.
O grande ponto de concordância da mesa foi a perda de espaço que a crítica de arte sofreu nas grandes publicações jornalísticas. Os veículos atuam muito mais na divulgação do que na análise dos produtos da indústria cultural. Manuel da Costa e Heitor Ferraz se arriscam a atribuir à própria arte a causa pelo fenômeno.
Os jornalistas falam em mudanças que a arte moderna, agora já chamada de pós-moderna, sofreu durante a História. Estaria havendo um retrocesso da concepção estética, que, voltando ao ideal medieval, torna-se fácil de ser consumida e pouco complexa. As características da indústria cultural e os anseios de consumo pedem produtos de fácil assimilação, que proporcionem diversão e entretenimento. O que vai contra a corrente inovadora da modernidade, nada compromissada com o desejo do mercado, tampouco com a simplicidade e a necessidade de entendimento do público leigo.
“Culpa” da arte ou não, é fato que a tão aclamada crítica de arte tem perdido espaço no jornalismo cultural, muito mais preocupado em divulgar as produções do que propriamente analisá-las. Manuel da Costa acredita que as análises das vanguardas se concentram hoje no meio acadêmico. Citando o exemplo da literatura, o jornalista atribui à proliferação dos cursos de Letras, no pós II Guerra Mundial, a migração da crítica para os departamentos universitários.
O colunista da Folha lembra que ainda são produzidas reflexões mais sofisticadas sobre arte, no entanto, elas se concentram em publicações especializadas. Por fim, Manuel ainda atenta para um problema da segmentação: o fato de que os críticos dessas publicações de cultura tendem a fazer parte do meio artístico, ou pelo menos não possuem distanciamento crítico suficiente para desempenhar as funções de analistas da arte.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Olá, Fernanda
Quando li seu comentário, fiquei muito comovida. Nunca havia recebido uma mensagem como a sua, por isso a surpresa boa. Como vc não tem um blog onde eu possa comentar, resolvi fazer este post para agradecê-la, afinal, vc merece uma palavra de resposta.
A primeira vez que li o comentário, não entendi quando falou sobre a visita que fez à igreja, pois não pensava que um texto meu iria incentivar alguém a isso. Mas depois, relendo, entendi bem o que vc quis dizer... Procurou o ambiente de uma igreja pela incrível paz que ele proporciona, foi uma boa idéia.
Fiquei muito feliz por tê-la ajudado de alguma forma. Nem me fale em crises e desordem de idéias, porque também vivo uma bagunça dentro da minha cabeça. É escrevendo que eu encontro uma forma de pensar, organizar e reconstruir meus pensamentos. Se a maneira que encontrou foi ir à igreja, que seja, o importante é ter sua válvula de escape, um caminho.
Não pretendo ficar dando conselhos, nem passando por psicóloga. Mas acho importante compreender nossa juventude, nossos anseios e angústias, que são tantas. Obrigada por me ajudar nisso.
Quando li seu comentário, fiquei muito comovida. Nunca havia recebido uma mensagem como a sua, por isso a surpresa boa. Como vc não tem um blog onde eu possa comentar, resolvi fazer este post para agradecê-la, afinal, vc merece uma palavra de resposta.
A primeira vez que li o comentário, não entendi quando falou sobre a visita que fez à igreja, pois não pensava que um texto meu iria incentivar alguém a isso. Mas depois, relendo, entendi bem o que vc quis dizer... Procurou o ambiente de uma igreja pela incrível paz que ele proporciona, foi uma boa idéia.
Fiquei muito feliz por tê-la ajudado de alguma forma. Nem me fale em crises e desordem de idéias, porque também vivo uma bagunça dentro da minha cabeça. É escrevendo que eu encontro uma forma de pensar, organizar e reconstruir meus pensamentos. Se a maneira que encontrou foi ir à igreja, que seja, o importante é ter sua válvula de escape, um caminho.
Não pretendo ficar dando conselhos, nem passando por psicóloga. Mas acho importante compreender nossa juventude, nossos anseios e angústias, que são tantas. Obrigada por me ajudar nisso.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Muito mais dúvidas que respostas
A crise financeira desencadeada pela bolha no mercado imobiliário estadunidense é a ordem do dia. Veículos de comunicação falam sobre o assunto incessantemente.
Afinal, o capitalismo já mostrou há muito que opera de forma cíclica, com altas e recessões. Desta vez, o cerne da situação não se difere tanto de outras crises já enfrentadas: desregulamentação em "excesso" e fraca participação do Estado na economia podem resultar em problemas.
Afinal, o capitalismo já mostrou há muito que opera de forma cíclica, com altas e recessões. Desta vez, o cerne da situação não se difere tanto de outras crises já enfrentadas: desregulamentação em "excesso" e fraca participação do Estado na economia podem resultar em problemas.
Ainda assim, não se fala em recessão, apenas em queda do crescimento das economias mundiais, especialmente dos países desenvolvidos.
No Brasil, o governo tem atuado pontualmente. A última é a tal medida provisória que autoriza o Banco Central a comprar carteiras de títulos privados dos bancos.
No Brasil, o governo tem atuado pontualmente. A última é a tal medida provisória que autoriza o Banco Central a comprar carteiras de títulos privados dos bancos.
Novas medidas para atenuar a crise de crédito no Brasil. O BC também atua na batalha contra a escalada no dólar: venda de dólares. Injetando cada vez mais dinheiro na economia, são mais de 60 bilhões desde o agravamento da crise.
O economista Raul Veloso destaca que mais do que injetar dinheiro, o governo precisa conter gastos e aumentar sua poupança, para que sobre mais dinheiro para investimentos produtivos -- já que a fonte internacional estará bem mais escassa.
O intuito é que o BC atue de forma mais efetiva no mercado financeiro, o que é tendência atual: intervenção do Estado a fim de amenizar as perdas da crise.
O bom desempenho da economia durante o governo Lula pode estar em jogo. A oposição atribui as conquistas ao cenário internacional favorável. Agora veremos se os bons números se mantêm, ou pelo menos não caem tanto. A dúvida é se estamos tão bem preparados para atravessar esta situação como as autoridades insistem em afirmar.
O bom desempenho da economia durante o governo Lula pode estar em jogo. A oposição atribui as conquistas ao cenário internacional favorável. Agora veremos se os bons números se mantêm, ou pelo menos não caem tanto. A dúvida é se estamos tão bem preparados para atravessar esta situação como as autoridades insistem em afirmar.
Do outro lado, Bush garante que o pacote aprovado na última semana começará a render frutos em breve, muito breve. Novos bancos nos EUA podem quebrar. A falta de confiança impera no mercado mundial. O dólar sobe com muita força e isso logo deve se refletir na inflação brasileira, que até setembro vinha baixando (no caso do setor alimentício).
Última ação de bancos internacionais: baixar as taxas básicas de juros numa ação cordenada pelos BCs em 20 países. Talvez a questão não seja apenas de preço, mas de desconfiança. Por isso, pouco se alterou nas bolsas desde a medida.
We'll see... we'll see.
Diário de ônibus
Vida de andar de ônibus não é fácil. Não mesmo. Todo dia dá aquele frio na barriga só de pensar naquela gente toda espremida, suando, em busca de um ventinho que seja. E o trânsito de São Paulo então? Um desgosto só.
Só que nem tudo é tristeza quando se usa o transporte público. São tantas pessoas e tantas histórias, que dá pra se divertir e aprender um bocado sobre esse tal de ser humano. Às vezes pode ser muito entediante, mas a vida de ônibus costuma ser bem mais animada do que parece.
A primeira angústia: o ônibus que demora a passar
É claro que muita gente não age assim, mas duvido que ninguém saia em cima da hora pra pegar o ônibus. A gente calcula mais ou menos quanto tempo leva a viagem, aí chegamos ao ponto uns 5 minutos antes do horário em que ele precisa passar pra conta dar certo. Ou seja, não é sempre que dá certo! Ainda mais se for férias, aí a coisa complica de vez.
Não tenho bilhete único, que saco!
Há algum tempo que o bilhete único foi implantado em São Paulo. Hoje em dia, a maioria das pessoas que usa o transporte público já tem o seu. Mas eu não tenho. Até pouco tempo eu não precisava usar ônibus ou metrô todo dia. Hoje eu uso. Não ter o cartão dá dor de cabeça. Os cobradores, muitas vezes, dizem: desculpa, mas não tenho troco. Aí é aquele desespero atrás de moedas perdidas na bolsa. Por isso, o melhor é sempre ter dinheiro trocado em mãos. Minha ânsia por moedas e notas de dois reais é tanta que há pouco tempo minha mãe reuniu muitas notas e me deu. Ai que alívio! Sem contar o fantasma do assalto... Abrir a bolsa dentro de ônibus lotado ou na rua não é muito recomendável, mas que importa, é preciso.
Sem óculos não dá
Meio grau de miopia parece pouco. Até é se comparado a outras doenças. Mas enxergar o destino do ônibus que vem ao longe? Não dá. Quando esqueço os óculos em casa é um tormento, só na adivinhação mesmo pra saber qual ônibus está chegando.
CONTINUA...
Só que nem tudo é tristeza quando se usa o transporte público. São tantas pessoas e tantas histórias, que dá pra se divertir e aprender um bocado sobre esse tal de ser humano. Às vezes pode ser muito entediante, mas a vida de ônibus costuma ser bem mais animada do que parece.
A primeira angústia: o ônibus que demora a passar
É claro que muita gente não age assim, mas duvido que ninguém saia em cima da hora pra pegar o ônibus. A gente calcula mais ou menos quanto tempo leva a viagem, aí chegamos ao ponto uns 5 minutos antes do horário em que ele precisa passar pra conta dar certo. Ou seja, não é sempre que dá certo! Ainda mais se for férias, aí a coisa complica de vez.
Não tenho bilhete único, que saco!
Há algum tempo que o bilhete único foi implantado em São Paulo. Hoje em dia, a maioria das pessoas que usa o transporte público já tem o seu. Mas eu não tenho. Até pouco tempo eu não precisava usar ônibus ou metrô todo dia. Hoje eu uso. Não ter o cartão dá dor de cabeça. Os cobradores, muitas vezes, dizem: desculpa, mas não tenho troco. Aí é aquele desespero atrás de moedas perdidas na bolsa. Por isso, o melhor é sempre ter dinheiro trocado em mãos. Minha ânsia por moedas e notas de dois reais é tanta que há pouco tempo minha mãe reuniu muitas notas e me deu. Ai que alívio! Sem contar o fantasma do assalto... Abrir a bolsa dentro de ônibus lotado ou na rua não é muito recomendável, mas que importa, é preciso.
Sem óculos não dá
Meio grau de miopia parece pouco. Até é se comparado a outras doenças. Mas enxergar o destino do ônibus que vem ao longe? Não dá. Quando esqueço os óculos em casa é um tormento, só na adivinhação mesmo pra saber qual ônibus está chegando.
CONTINUA...
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