sábado, 22 de dezembro de 2007
Nada de título por hoje
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
A short hello from Canada
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
"Cronicando"
A questão que propus não quero que seja levada para o campo acadêmico, sei que inúmeras definições já foram desenvolvidas sobre o tema, o interessante é tentar trilhar um raciocínio próprio, sem que este precise ser inovador nem nunca antes concebido. Bom, se a crônica é um texto essencialmente autoral, quer dizer que opinião é um elemento inerente à sua construção. Até aí tudo bem, eu entendo. Lembrando que a classificação "texto autoral" é muito mais ampla e abrange outros gêneros além do que está sendo discutido aqui.
Agora, será possível enumerar os temas que as crônicas usualmente abordam? Acho que não, e isso faz delas textos livres e que a priori podem tratar dos mais variados assuntos e de inúmeras formas. Este último aspecto é também um fator que enriquece o texto do gênero crônica, a liberdade da forma. Já que, podemos encontrá-las, as crônicas, de muitas maneiras, mas dentro da prosa - pelo menos é o que sei. Uma crônica pode ser escrita apenas com diálogos, como um estória narrada ou como um texto de opinião - mas que tenha imprimido nele as concepções pessoais do autor. Aí surge mais um questionamento, porque dizer que a crônica pode ser um texto de opinião não significa chamar todo texto de opinião de crônica, já que existem os artigos, por exemplo.
Mas, então, como afirmar que isso ou aquilo é uma crônica? Não dá, e é dessa forma que eu concluo, ao menos por enquanto, minha pequena e modesta linha de pensamento sobre o tema. Não sei dizer se é possível apontar um texto como sendo crônica sem que haja divergências. Talvez a maneira mais fácil de identificar uma seja procurando aquela seção do jornal em que se lê no chapéu acima do texto: crônica.
Ai, como é boa essa tal de metalinguagem.
sábado, 6 de outubro de 2007
Fim do "anticurso" e algumas impressões que ficaram dele
O tema mais recorrente foi o Movimento dos Sem Terra. Minha simpatia pelo MST não é de hoje, mas depois dos depoimentos dos jornalistas da Caros Amigos eu pude entender pelo menos um pouquinho do que é o maior movimento social do Brasil. Toda aquela imagem de um grupo formado por pessoas agressivas e ignorantes que a maioria da mídia tenta nos empurrar já não faz nenhum sentido pra mim. Bom, também não posso ser ingênua a ponto de levar como certo tudo o que ouvi na Caros Amigos, mas sei que uma possível versão "verdadeira" está bem mais próxima ao que os jornalistas de lá disseram do que ao que a Folha ou a Veja publicam.
Ainda assim, não é fácil e nem "palpável" pra mim, dizer como será minha atuação nesse meio maluco que é o jornalismo. Com certeza, a mídia engajada me agrada bastante, até porque tenho dificuldades tanto em acreditar que exista objetividade como também pra colocá-la em prática nos meus textos. Mas, não quero afirmar nada por enquanto, até o final do curso eu posso estar mais bem treinada e quem sabe - eu espero realmente que isso não aconteça - o cabresto da mídia gorda ( como diz Mylton Severiano) venha a ser colocado em mim.
Ah, mas não posso deixar de comentar o presentinho que ganhamos da revista, uma charge desenhada por Claudius, com dedicatória e tudo. Po, gostei, o pessoal da Caros Amigos foi sempre muito gentil, até porque não pagamos pouco pra participar do curso!
Sem mais por hoje! haha
Bom sábado!
domingo, 16 de setembro de 2007
25 de Março: vozes na multidão
Próxima estação: São Bento. Desembarque pelo lado direito do trem. Ai, não precisa empurrar, tô saindo! Compre seu bilhete comigo, Metrô e CPTM, sem filas! Trim, trim! Alô? Oi, Neusa, então, já desci aqui na São Bento, estarei no escritório em cinco minutinhos! Meu docinho, você promete que vai ficar pensando em mim o dia todo? Prometo, minha pequerrucha! Ai, cajuzinho, estou com saudade desde já; preciso ir, tchau, tchau, amo você! Ah, só mais um beijo minha florzinha! Então tá, só mais unzinho! Miguel, saída Ladeira Porto Geral, é por aqui mesmo! Nossa, Lurdes, como está cheio! Pois é, eu disse que a gente devia ter vindo mais cedo!
Fom, fom. Opa, opa! Com licença aí! Sai da frente, mané! Caiu, caiu, caiu o preço do relógio! Olha o perfume importado baratinho, madame, cada um custa 15 reais, se levar dois faço por 30! Tá com fome? “Marmitex” por dois e cinqüenta, hoje a mistura é especial: buchada de bode! Vai passar por cima, mané? Aqui não entra carro! Já saiu, já saiu! Os filmes que todo mundo vê no cinema, você pode ter em casa, 4 dvds por 10 reais, imperdível! Vai um pedaço de melancia aí? Mas mãe, eu quero o boneco do Action Man Modo de Batalha com 47 articulações e frases interativas em cinco idiomas! Ah não, Marcinho, não vou comprar aquele bicho feio, fique quieto senão a mamãe não te traz mais! Óculos de sol Dolce e Gabbana por somente 30 reais, é barato demais minha gente! Ei, patroa, venha conferir, a bolsa que a moça da novela usa, a gente tem aqui: Victor Hugo, lindíssima e igual a da Cléo Pires! Ai, como está quente aqui! Oi moça bonita, quer dar uma turbinada? Invisible BRA, o sutiã de silicone do polishop por 10 reais! Ai titia, titiaaaa! Que horror esse apito, voz insuportável, titia, titia o quê! Eu quero um desses, mãe! Nem pense nisso, Maria Eduarda! Então, seu camelô, eu só tenho 12 reais, e aí, dá pra fazer? Ah, minha senhora, por 12 não dá, sabe como é, senão a gente não ganha nada. Aqui é tudo preço de fábrica! Massagem!!! Ui, que arrepio, que é isso moço? Quanto atrevimento! Desculpe, minha senhora, mas e aí, gostou? Leve pro maridão!
Ei ei, olha o “rapa” descendo!!! O “rapa”, seu Luiz! Os “homi”, Maria! Guarde as coisas! Ai, meu Deus, alguém me ajuda! Espera aí, dona Ângela, que eu ajudo a senhora a empacotar! Ai, obrigada, meu filho, eu sempre digo, mas nunca aprendo que na minha idade é bom ter uma barraca com licença! O “rapa”? Mas cadê? Não sei, Rose, não importa, bota tudo na sacola, rápido, rápido! Ei, para que empurrar? Desculpe, desculpe. Ai olhe este colar, não posso deixar, Afonso, espere! Agora não, vamos embora! Venha, filho, fique perto de mim, cuidado com a correria! Ai, Juju, que medo, vamos sair daqui amiga!
Não é o “rapa” não, minha gente! Alarme falso! O “rapa” não tá aqui não! Pode voltar gente! Ai, ainda bem! Quem foi o bobo que inventou isso? Dou-lhe uma bordoada... Tenha calma, dona Jacira! Como calma? Quase me mata do coração, meu filho! Ah não, benhê, só preciso comprar mais algumas coisinhas, não foi nada, está tudo tranqüilo, você não ouviu o que eles disseram? Ai que sede! Que aperreio hein, seu Gilmar! Olha a água de coco, refrescante e docinha! Venha comprar guardanapos de cozinha lindos, minha amiga, são 10 por apenas oito e cinqüenta!
Com licença, seu guarda, quem é esse tal de “rapa”? Ah, minha senhora, é a polícia. Mas e o senhor é o quê? Eu sou segurança do metrô. Ah entendi, eu pensei que eles estivessem correndo por sua causa; nossa, mas é uma loucura essa tal de 25 de Março, não? Nem me fale...
Ufa! Próxima estação: Sé. Desembarque pelo lado esquerdo do trem.
"Anticurso" Revista Caros Amigos (Como não enriquecer na profissão)
Mylton Severiano: editor executivo da revista e responsável pela seção “Enfermaria”

Mylton Severiano abriu o Anticurso perguntando a ocupação de um a um da platéia. Seu depoimento foi marcado pela exposição de fatos e relatos importantes de sua trajetória no jornalismo que completará 50 anos em breve. Mylton destacou a figura do também jornalista Hamilton Almeida Filho em sua carreira, expôs sua opinião quanto ao diploma de jornalismo que, segundo ele, não deveria ser exigência para entrar no mercado e para tanto, contou algumas histórias de sua vida tentando mostrar que a profissão está mais ligada à vocação e ao talento do que à formação acadêmica. Comentou, inclusive, sobre a linha tênue que existe entre jornalismo e poesia, literatura; completando: "Ninguém pede ao poeta seu diploma de poesia não é?". No entanto, e de forma controversa, Mylton fez questão de deixar claro que não considera a formação do ensino superior perda de tempo, mas expôs um dado que mostra que apenas 12% de quem obtém a graduação em jornalismo segue a profissão. “A exigência do diploma causou a elitização da categoria”, completou Severiano.
José Arbex Jr.: editor especial

José Arbex é um homem bastante espirituoso e agitado. Seu depoimento no anticurso foi carregado de críticas à grande mídia e ao sistema neoliberal de forma geral. Arbex apontou problemas importantes do fazer jornalístico como a insistência que certos veículos têm em considerar sua apuração imparcial e seus textos objetivos. Ele disse que a grande mídia apresenta os fatos como se fossem retratos da realidade e não aceitam ideologias e a militância, o que, para ele, é hipocrisia. O que Arbex denunciou em sua palestra é de alta relevância e por isso merecem espaço alguns trechos de seu depoimento.
“Existe liberdade de expressão no Brasil apenas formalmente”. O jornalista justificou a afirmação contando o boicote que uma distribuidora aplicou sobre o jornal com o qual trabalhou, o Brasil de Fato, publicação esquerdista produzida pelo MST. Segundo Arbex a mídia é um reflexo da desigualdade social, e por isso, só haverá modificações em sua hierarquia quando for mudada a própria organização da sociedade.
Outros pontos de vista interessantes foram expostos por Arbex, quase sempre bem-humorado e sarcástico ele se exaltava apenas ao contar o que o indigna. O jornalista apontou, por exemplo, a escolha do governo brasileiro pela tecnologia de TV digital japonesa um erro, segundo ele, o modelo oriental é um dos mais caros e menos democráticos. Ainda assim, Arbex vê com bons olhos a implantação da tecnologia digital no país. No entanto, alertou o público para o que já foi feito de forma errada pelo governo em relação à transmissões, como a empresa que cuida desse aspecto no Brasil que é Anatel, ter sido privatizada, assim como os satélites responsáveis pelo sinal que aqui chega. O jornalista foi categórico ao dizer que uma democracia da informação implica não só no direito de receber, mas também no direito de transmitir, referindo-se às concessões que o governo proporciona somente aos veículos que considera merecedores.
http://carosamigos.terra.com.br/
sábado, 8 de setembro de 2007
Expressão e escrita são maneiras de pensar e quem sabe entender
Hoje, parecem a mim muito interessantes os conceitos que chamados de esquerdistas. Não sei dizer qual é minha posição política, mas espero sabê-lo logo. Na profissão que escolhi, o jornalismo, muito se fala sobre objetividade e distanciamento, ou seja, fazer parte de um partido político, por exemplo, soa como mau exemplo de conduta. Mas todo esse papo de imparcialidade está mais do que superado, é evidente e irrefutável que toda pessoa tem seu ponto vista, até mesmo para narrar um fato comum nós colocamos nossas impressões no discurso. Então, por que ainda falam em prezar a busca pela verdade? Porque querem nos fazer acreditar que ela existe, e mais ainda, a grande mídia tenta nos convencer de que é portadora e transmissora da tão venerada “verdade”.
Dizer que não gosto da Globo ou da Veja seria clichê demais; para mim o importante é entender o que essas empresas fazem e como influenciam seus consumidores. O problema não é só atingir um público grande, pois ser acessível é qualidade. A questão é ser tendenciosa, como qualquer publicação, e ser considerada oficial. O problema é se declarar prestadora de serviços ao público, quando na verdade, a grande mídia publica o quê e da forma que interessa aos seus anunciantes e à classe social que beneficia. O problema é fazer análise e emitir opinião sutilmente e falar que se está fazendo jornalismo informativo. O problema é denunciar corrupção só quando o inimigo a pratica. E acima de tudo, o problema é ser tão canalha a ponto de cometer “atrocidades jornalísticas” sem ser notada realmente até por quem tem alguma consciência política.
Meu pai acha a Veja legal porque ela denuncia, acha o PSDB bacana porque os candidatos são bem votados e ainda assim ele é um grande e generoso homem. Por que é que a forma solidária com que ele trata a vida e as outras pessoas não pode ser aplicada à política? Por que não chega a ele uma publicação de caráter humanitário e preocupado com a igualdade social? Ele lê Veja achando que está se tornando alguém melhor e mais informado, enquanto na verdade seus ideais de bondade estão sendo comprometidos e influenciados pela revista. Gosto de acreditar que existe alguma liberdade de expressão no país, mas não sei dizer o que é preciso ser feito para que meu pai passe a ler a Caros Amigos, o Brasil de Fato, ou quem sabe algum site como o Mídia Independente ou o Carta Maior. Não sei o que fazer para explicar-lhe o que está sendo feito com suas concepções pouco a pouco.
Eu penso que a grande mídia mente e nos distrai muito; porque enquanto nós ficamos aqui tentando apontar culpados no mensalão que sejam do PT, muita cultura e informação é perdida e deixada de ser absorvida - é claro que a questão é ainda maior, mas esse poderia ser um argumento. Ficamos cada vez mais carentes de informação com qualidade e buscamos o simples, grosseiro e gratuito, de preferência. Desaprendemos a gostar de ler e de entender as regras gramaticais, escrevemos cada dia pior, porque é dessa forma que lemos. Não somos influenciados a consumir cultura popular brasileira ou latino-americana, porque o enlatado está ali ao alcance mais fácil, mesmo. Não aprendemos a formular opiniões próprias sobre política, porque pouquíssimo entendemos a respeito, e o que o colunista de domingo diz é sempre certo e "tão bonito de ler".
Muitos dizem que a discussão sobre ser de direita ou de esquerda está cada vez ampla e mais complicada. Pode até ser, mas eu penso que enquanto “a massa” não souber nem aos menos o que os termos significam, de nada adiantará tanta discórdia. Até porque hoje não sabemos definir com precisão tudo o que cada posição implica. Não quero acreditar na história de que aos 20 é loucura não ser de esquerda, enquanto aos 40 é maluquice sê-lo. Gostaria que as pessoas entendessem o que a esquerda procura e que um regime socialista não é todo mundo usar o mesmo tipo de sabonete. Gostaria que pudessem compreender que movimentos sociais não são aglomerações de desocupados e que acreditar no diferente vale a pena.
domingo, 2 de setembro de 2007
Ritmo, moda e poesia
O sol ainda brilhava quando as primeiras pessoas começaram a chegar à Estação Cultura para mais um dia de atrações. A maioria jovem, desleixada, tanto na maneira de se vestir como no comportamento; rapazes usavam cabelos com dreads, enquanto moças trajavam longas e coloridas saias, além de brincos de metal que tilintavam conforme o ritmo de seus corpos. Tratava-se da Virada Cultural de Campinas, em seu segundo e último dia, domingo (20/05), no qual a Estação Cultura recebia o público que esperava pelo espetáculo da banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado. Por volta das 13h até às 19h – quando a banda subiu ao palco – todos dançaram e beberam ao som de MPB, espalhados ao longo de um corredor, ao lado do trilho por onde já passaram tantos trens de carga.
O palco estava bastante enfeitado, figuras de libélulas em tons pastéis faziam alusão à capa do novo disco, Transfiguração, da banda que logo estaria ali, o Cordel do Fogo Encantado. Enquanto o show não acontecia, o público perambulava pelas lojinhas rusticamente montadas ao longo do vasto corredor da antiga estação de trem. As mais variadas peças de roupa e de acessórios podiam ser encontradas. O trabalho de dezenas de jovens estilistas estava exposto, tratava-se do Mercado Mundo Mix, feira itinerante que reúne a produção chamada de alternativa da moda.
O clima era de tranqüilidade e descontração quando subiram ao palco os cinco integrantes: José Paes de Lira, Clayton Barros, Emerson Calado, Nego Henrique e Rafa Almeida. O Cordel do Fogo Encantado iniciou a apresentação tocando um de seus sucessos: “Palhaço do Circo Sem Futuro”, música de seu penúltimo disco homônimo. A platéia se agitou e passou a entoar as canções com uma disposição notável. Era possível perceber que muitos já eram fãs da banda há um bom tempo, cantavam fervorosamente as letras poéticas, as quais retratam as dificuldades e prazeres de se viver na seca nordestina. Os brincos de metal usados por tantas fãs produziam um som à parte, ritmado com os batuques e atabaques dos percussionistas da banda.
O Cordel, como é chamada pelos fãs, é uma banda que nasceu há dez anos em Arcoverde (PB). No início tratava-se de um grupo teatral, mas devido à adesão dos últimos integrantes, Rafa e Nego Henrique, acabou se tornando uma banda musical. No entanto, o caráter performático do grupo não desapareceu, visto que suas apresentações são conduzidas com intensidade e expressão pelo vocalista Lira Paes.
No encerramento da Virada Cultural de Campinas, que contou com diversas atividades na cidade durante o final de semana, o Cordel ocupou majestosamente o palco em que o grande Tom Zé havia se apresentado no dia anterior. Em cerca de duas horas de show, a banda pôde apresentar algumas músicas consagradas e quase todas que compõem o disco recém-lançado. Estima-se que 30 mil pessoas tenham participado das atividades programadas pela prefeitura em vários pontos da cidade durante o final de semana.
Boa semana!
sábado, 1 de setembro de 2007
Por que é que esquecemos tão facilmente?
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
20 anos desde sua morte
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o ouvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
O morto continua a viver no livro, na foto, no cassete, mas só quando nos lembramos de usá-los.
domingo, 29 de julho de 2007
Bendita a dica...
Bom, esses tempos eu li um livro chamado Gosto de Uva, escrito pelo Frei Betto e o achei muito interessante. O livro consiste em uma coletânea de crônicas sobre diferentes assuntos, desde políticos até os transcendentes. É incrível como o autor consegue escrever sobre assuntos políticos não apenas com um tom imperativo e severo, mas também usando calma e paciência de darem inveja!
Bom, acho que você já deve conhecer um pouco sobre o Frei Betto. Pelo menos deve saber que suas idéias dispensam comentários ou críticas. Se você ainda não o conhece, vale a pena ler o livro para conhecê-lo melhor!
O mais interessante, Dani, é que entre tantos textos de cunho político o que mais me cativou dispensa a política. Trata-se de uma exaltação à vida humana, aos sentidos humanos, às atitudes cotidianas e, mais ainda, Frei Betto consegue descrever sentimentos indescritíveis! Isso parece meio impossível e contraditório, mas não é!
Eu recebi esse e-mail de um cara chamado Rafael Zanetti; ele é alto, simpático, tem um coração bom e apesar de estudar engenharia, gosta muito de literatura.
Adorei a indicação do Rafão e por isso segue o texto do Frei Betto:
Benditas fomes
Benditos os que têm fome de si e mergulham no âmago de ser, arrancam dissabores do paladar medíocre, farto de migalhas caídas da mesa de Narciso. E os insaciados no apetite de beber do próprio poço e devorar gorduras impregnadas nas reentrâncias da alma.
Benditas as mulheres famintas de amor, feitas de fio de renda, a tecer a vida na magia de pequenos gestos cotidianos: a cozinha limpa, o feijão catado, a cama arrumada e o vaso da janela regado de ternura. Elas conduzem a lua como um farol que, mês a mês, atrai seus corpos para rubros mares cheio de vida.
Bendita a fome itinerante dos homens ávidos de saber, curioso quanto aos mistérios desse breve existir,e cujas as mãos transmutam árvore em mesa, trigo em pão e leite em manteiga. Generosos, não precisam exibir espadas para provar que são guerreiros. Espalhada à sua volta, a sombra do aconchego aninha a família em segurança.
Benditos os que reverenciam o sol, a flor, a água e a terra, e trazem um coração ao ritmo das estações , confeiteiros de primaveras espirituais. Esses sabem encher suas taças de chuva e assar o pão no calor de amizades.
Benditos todos que se irmanam ao canto telúrico de Francisco e dançam ao ritmo alucinado dos girassóis de Van Gogh, impregnados da sabedoria búdica que não se algema à nostalgia do passado, nem se precipita na ansiedade do futuro.Eles saboreiam o presente como inestimável presente.
Benditas a manhã reinaugurando a vida após o sono; a idade esculpindo rugas carregadas de histórias;e todos que, saciados de anos, não temem o convite irrecusável das bodas de sangue que, afinal, haverão de saciar a nossa fome de beleza.
Benditos os bem aventurados na ânsia de ver repartido o pão da vida, sem encher a bolsa de sementes de podridão. Estes sentam-se à mesa com espírito solidário e têm direito à embriaguez do vinho que, transubstanciado, encharca o coração de alvíssaras.
Benditas as mãos que traduzem sentimentos e semeam caricias, aplacando a fome de afeto. E os olhos repletos de luzes e as palavras floridas de beijos. E esse voraz apetite de silêncio, leve como o vôo de um pássaro.
Benditos a gula de Deus, os vulcões ativados nas entranhas, o arco-íris da pluralidade de idéias, a confraria de boas ações, os livros que nos lêem, os poemas ecoados no centro da alma, a rua deserta ao alvorecer, o bonde invisível, a vida sem medos.
Bendita a ira contra os pincéis que rasgam telas; a luxuria dos bales musicados por virtudes; a preguiça dos sinos de igrejas; a avareza de quem se guarda nos vícios; e a lenta maneira de fazer crescer plantas, cumplicidades e gente.
Benditas as fomes de transcendência, de prefigurações do eterno, de jovialidade do espírito, do bolo fatiado pelo cuidado materno, de vertigens místicas, de astros acelerados pela rotação de tantos sonhos redivivos.
Benditos os machados cientes que seus cabos são feitos de árvore e as gaiolas abertas à liberdade; as agulhas que tecem o avesso da dissolidariedade e as facas de pontas arredondadas; a musica de emoções indeléveis e os espelhos que refletem as mais saborosas oferendas da existência.
Benditas as fomes insaciáveis: de saber e de sabor; de despudor no amor; de Deus sob todos os nomes inomináveis. Fome do ócio sem culpa, de alegria interminável, de saúde e de prazer. Fome de paz. Saciada plenamente por justiça – a mais bendita das fomes, capaz de erradicar a fome maldita.
Obrigada mesmo Rafa! E vale muito a pena conhecer o trabalho do Frei Betto e sua trajetória, só pra citar ele já foi assessor do Lula e escreve para várias publicações, dentre elas a Caros Amigos. (http://www.garamond.com.br/node.php?id=254)
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Mais idéias improdutivas e desconexas que as férias proporcionam...
Zeca Baleiro - Heavy Metal Do Senhor
O cara mais underground que eu conheço é o diabo
que no inferno toca cover das canções celestiais
com sua banda formada só por anjos decaídos
a platéia pega fogo quando rolam os festivais
do céu com santos que já foram homens de pecado
de repente os santos falam "toca Deus um som maneiro"
e Deus fala "aguenta vou rolar um som pesado"
o mercado tá de olho é no som que Deus criou
com trombetas distorcidas e harpas envenenadas
mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do Senhor
*COBRAS CRIADAS, LUIZ MAKLOUF
Uma resenha a respeito: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp211120019993.htm
**"A revista O Cruzeiro surgiu no final dos anos 20, tendo sua primeira publicação em 10 de novembro de 1928. Patrocinada pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand, O Cruzeiro é considerada a principal revista ilustrada brasileira do século XX." (http://www.traca.com.br/?tema=padrao&pag=revistaocruzeiro&mod=inicial)
domingo, 8 de julho de 2007
http://jc.uol.com.br/2007/07/06/not_143655.php
"Onde quer que você esteja, você sempre estará lá". (Rafa)
sexta-feira, 6 de julho de 2007
"Viver ultrapassa qualquer entendimento"

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo”.
(Clarice Lispector)
Embora tenha se tornado um trecho bastante comum nos perfis do orkut - o que não é de todo ruim -, eu precisava transcrevê-lo aqui, porque as palavras de Clarice Lispector são lindas e fazem todo sentido, mais uma vez...
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Festival Indie Rock
26 de julho - Magic Numbers, Moptop e Hurtmold
27 de julho - The Rakes, Mombojó e Móveis Coloniais de Acaju
Horário: 21h30
Pista 100,00
Camarote 120,00
Mezanino 140,00
http://www.viafunchal.com.br/shows.asp?ID=258
O difícil vai ser escolher em qual dia ir, Belém e eu iremos no primeiro provavelmente...
Bom, pra quem quiser tá aí a dica e o convite!
The Magic Numbers - I see you, you see me
terça-feira, 3 de julho de 2007
"Debate" MTV
O programa, teoricamente, deveria gerar um debate entre os convidados sobre o tema escolhido para aquela semana. Mas o que vi hoje não foi um debate, ou nada que seja digno de assim ser definido. O apresentador da vez é Lobão e não mais Cazé, o que achei uma troca ruim, e os convidados para o bate-papo descolado foram Renata Banhara (sim, a ex de Frank Aguiar, nosso deputado querido), uma tal de Marina Mantega (parente do senador), um cara que faz parte da produção da Playboy, uma blogueira que desconheço também, um consultor financeiro (ou analista de sistema, ou sei la o quê) e uma jovem universitária.
Bom, para que Renata Banhara tivesse sido convidada é fácil tentar adivinhar qual teria sido o tema, as opções possíveis não fogem de algo relacionado a roupas, sexo, brigas públicas, escândalos familiares, beleza (?), fofoca, Luciana Gimenez, silicone, empreendorismo no ramo das babaquices sem utilidade e por aí vai...
Enfim, entre tantos assuntos cruciais a serem discutidos, a MTV abordou a questão: a única possibilidade de ganhar notoriedade e fama para uma mulher é posando nua?
Depois de apresentar os convidados já é possível imaginar o que tive que presenciar na frente da TV. É óbvio que a discussão foi superficial e egocêntrica, pois de um lado estava Renata contando os percalços de sua vida e narrando (quase) tudo o que fez para chegar onde está. Já a tal Marina ficou contando que trabalha num meio onde o sexo masculino predomina, mas diz saber que é tão boa quanto os companheiros - e que recebe os mesmos salários - e por isso não se sente reprimida e mais, ela falou que posaria nua sim, mas não por necessidade. Sobre três eu me recuso a comentar. E ainda havia a universitária, pobre moça que aceitou o convite de se sentar à mesa de discussão com esse pessoal.
Resumindo, não houve discussão, apenas uma briga entre os estereótipos: a mocinha feia, inteligente e rebelde contra as mulheres gostosas e bem-sucedidas. Ah, esqueci de comentar a ilustre presença do apresentador, que é engraçado às vezes, só que estava muito mais preocupado em passar a imagem de homem sem pudores do que em mediar aquele bate-boca.
Enfim, poucas conclusões pude formular sobre o tema, mas sentir essa ponta de revolta com o que nos é oferecido pela mídia eu não pude evitar. A universitária ainda abordou questões legais como o aumento da violência doméstica sendo causado pela noção cada vez maior de que a mulher é objeto, é propriedade a ser cuidada e contemplada, ela ainda disse que a pornografia incita os estupros, o homem quer o que pode apenas ver na revista... Talvez ela tenha sido radical demais em alguns momentos, ainda assim são coisas importantes pra se pensar.
Agora se eu disser que Renata Banhara não deu sua contribuição ao debate estarei mentindo, já que após choramingar pelo preconceito que sofreu ao posar nua pela primeira vez, ela contou o que seu tio-avô disse ao vê-la na revista: "O que é belo é para ser contemplado, os que são contra isso tem mente provinciana". Fiquei muito emocionada, palavras de um grande mestre. Poxa MTV, vocês podem mais! (Ou não...)
sexta-feira, 22 de junho de 2007
"Hay que ser utópico, pero sin perder la ternura jámas!" haha
"... somente aqueles que vêem o invisível podem realizar o impossível..." (Bernard Lown, Prêmio Nobel da Paz de 1985)
Uma das afirmações filosóficas de Einstein se revela, hoje, de fundamental importância: em épocas complexas, como a que tivemos nestes tempos modernos, a imaginação é mais importante que o conhecimento.
Apenas me desculpem pelo trocadilho péssimo e mal feito do título! Haha
quinta-feira, 21 de junho de 2007
A busca pela descoberta interior (que coisa mais clichê, eu sei)
Só não posso deixar de salientar (que palavra horrível) o surto de postagens, foram duas em apenas três dias! Uau, quem sabe eu esteja deixando a preguiça um pouquinho de lado? Ah isso não, exagerei.
terça-feira, 19 de junho de 2007
Uma nova forma de mobilização
O texto que escrevi se refere a um novo modelo de mobilização, o flashmob, que nas palavras do meu irmão busca "mostrar a importância da unidade estadual, além de demonstrar uma criatividade já tão procurada por parte dos estudantes pra poder dialogar com a população sem serem taxados de baderneiros". Visitem www.focofilo.blogspot.com e entendam do que estou falando!
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Música, música, música!

Agora uma listinha de indicações que pude formular após essa proveitosa tarde musical. Percebam a influência do espaço físico: estive especialmente na seção MPB, entre as últimas letras do alfabeto...
Danç-Êh-Sá, Tom Zé, Tratore – 2006
ESTUDANDO O PAGODE
Segregamulher e Amor, Tom Zé, Trama – 2005
TOM ZÉ - SÉRIE DOIS MOMENTOS VOL.14Relançamento em CD de O Caso é Chorar, 1972 e de Todos os Olhos, 1973Continental – 2000
Perfil Zeca Baleiro, Som Live
Baladas do Asfalto e Outros Blues (ao vivo), Zeca Baleiro, Universal – 2006
PetShopMundoCão, Zeca, Abril Music, 2002
The Miseducation of Lauryn Hill, Sony, 1998 (show dela por aqui em junho!)
Vinicius de Moraes (sem especificações, quanto mais melhor!)
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
Esperem por mais besteiras essa semana, fica a promessa de uma nova postagem em breve. Obrigada!
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Virada Cultural!
http://www.viradacultural.com.br/img/viradacultural2007_programacao.pdf
quinta-feira, 3 de maio de 2007
TABULEIRO EM PÓ... Legal, mas como assim?

MORTE E VIDA STANLEY
(José Paes de Lira)
Na madrugada de vento seco
Morte e vida Stanley
Outro homem
O seu nome é Stanley
Altamente recomendável: http://cordeldofogoencantado.uol.com.br/
terça-feira, 1 de maio de 2007
Enquanto isso no msn...
Fê ° diz:
Dani, você fez a pesquisa lá ?
daniella diz:
nossa ainda nao fe
daniella diz:
to ferrada
daniella diz:
e vc?
Fê ° diz:
é, eu também não, hehe, vou fazer hojede noite mesmo ... umas 11 hahuaaua... amanhã tenho que ir no Arquivo do Estado =/
daniella diz:
nossa q trabalho!!
daniella diz:
fee eu fiz um blog, quer ver? uhahuauha to mt orgulhosa de mim, acabei de fazer huahu
Fê ° diz:
É, foda! =/
Eu achei que o trabalho era para segunda feira que vem....
Fê ° diz:
Hahuaha, eu estava pensando em mudar o nosso blog de endereço
Fê ° diz:
=/
Fê ° diz:
Para um mais bonnitinho e tal, mas aí temos que ver
Fê ° diz:
deixa eu verrrrr o seu blog
daniella diz:
nss a gente devia mudar td naquele blog!
daniella diz:
peraa
daniella diz:
mas eu ainda to fazendo o perfil viu!
Fê ° diz:
Está bem... me passa hehehequero ver
Fê ° diz:
=]
Fê ° diz:
Até que é legal um blog huahau interessante
daniella diz:
eh entao, acho uma coisa legal
daniella diz:
mas dá vergonha uhahau
Fê ° diz:
Hahuahua isso é verdade! =]
daniella diz:
http://tabuleiroempo.blogspot.com/
Fê ° diz:
tabuleiro em pó?
daniella diz:
uhahaua é
daniella diz:
meio brega, mas eu nao tinha outra idéia melhor uhauh
Fê ° diz:
huahauahahu mas eu não entendi.. em pó?
daniella diz:
ahann, é a letra de uma música q eu gosto
daniella diz:
vo faze um texto flndo do título, mas nao tem mt sentido msm uhahuauha
Fê ° diz:
ahhhh entendi
Fê ° diz:
=]
Fê ° diz:
ahhhh dani
Fê ° diz:
EU IA COMENTAR
Fê ° diz:
Mas o seu blog não aceita comentários se eu não tiver loggin e senha
Fê ° diz:
=?
daniella diz:
vixeee que ruim
Fê ° diz:
=/
daniella diz:
como eu faço pra tirar isso será? uhahua vo vee
Fê ° diz:
Dá ma olhada aí e me avisa para eu poder comentar
Fê ° diz:
heueheue
daniella diz:
o fe eu tinha pensado em por pasárgada o nome, seria mais legal né?
daniella diz:
ai eu acabei de decidir e já fui fazendo uhahua
Fê ° diz:
Agora vou indo, mais tarde eu entrooo, beijos!!!!
Fê ° diz:
Uhm, eu gostei dessa nome que está
Fê ° diz:
achei legal
Fê ° diz:
hahah mesmo sem entender ele no começo
Fê ° diz:
hahahaha
Fê ° diz:
tabuleiro da uma idéia de diversidades... de várias coisas misturadas
daniella diz:
ah se vc gostou tá beleza! uhauha
Fê ° diz:
hihuiuhi
Fê ° diz:
beijioooooo Dani
daniella diz:
bjoooooooooo fe
Fê, espero que você não fique brava comigo por ter postado nossa conversa hahaha. Mas foi a maneira mais simples e fácil que encontrei para explicar algumas coisas referentes ao blog e, principalmente, ao nome que escolhi. Não sei se fiz bem ao optar pelo título TABULEIRO EM PÓ, mas prometo que na próxima postagem explicarei melhor minhas motivações ( se é que elas axistem). Ah, devo dizer que a linguagem dessa conversa foi a mais informal possível, por isso peço que não haja hipocrisia e entendamos que esse mundo virtual exige de nós outros hábitos né não? Não posso me esquecer também de deixar claro que o TABULEIRO EM PÓ será todo um espaço informal e livre! Sendo assim, APROVEITEM! ( Digo isso numa tentativa frustrada de usar uma palavra que corresponda ao enjoy no inglês e suas tantas significações).
Dani :]