quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


Apagão elétrico no Brasil e apagão de posts por aqui durante um tempo. Volto para dizer o quanto o momento é conturbado, difícil e decisivo. É certo que a gente aprende na dureza, minha mãe tinha razão. Como sempre.

No meio do turbilhão, uma notícia me prendeu:

"The Big Bang Theory" bate "Two and a Half Men" nos EUA

Pode não parecer tão relevante à primeira vista, mas esse fato é bastante importante. Cada vez me convenço de que o mundo é dos geeks! E a imprensa precisa prestar atenção a isso - mais do que já presta.


sábado, 14 de novembro de 2009

APAGÃO!

Pra uma revista semanal, o melhor é que as coisas aconteçam bem no começo da semana ou na sexta, sábado! O apagão teve que acontecer terça à noite... claro! Como não adianta só dar a notícia, é preciso analisá-la, a Época montou uma equipe em São Paulo para fazer a cobertura.

O meu editor de economia, Marcos Coronato, foi convocado pra comandar o pessoal, e por isso eu entrei junto nessa apuração, que além de cansativa foi muito legal. O resultado está numa matéria de capa que vai além das explicações confusas que a gente tem ouvido por aí...

Guia da aposentadoria


Desde que entrei na Época, há pouco mais de dois meses, eu vinha trabalhando em algumas matérias para o guia da aposentadoria. O especial saiu, finalmente, na primeira semana de novembro. Parte do resultado está na internet, mas as matérias que eu mais gostei foram publicadas na versão impressa.

Cheguei na editoria de Economia e Negócios sem ter noção sobre o assunto! E não é que agora eu sei o que são investimentos em renda fixa, tesouro direto, taxa básica de juros...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Locadoras online

A matéria "Qual filme pegar? A locadora escolhe" foi escrita por mim e pelo repórter de tecnologia Bruno Ferrari para a edição da Época desta semana. Ela fala das ferramentas de recomendação oferecidas pelas locadoras online. O gancho foi o Netflix Prize, um concurso que deu um milhão de dólares a uma equipe que conseguiu melhorar em mais de 10% o atual sistema de recomendação da locadora. Para aproximar o tema dos brasileiros, usamos o exemplo da NetMovies, que também prepara novidades nessa área. Confiram!

sábado, 17 de outubro de 2009

Cinco dúvidas (respondidas) sobre "O Desinformante"

Matéria no site da Época com alguns detalhes da produção! Leiam aqui!

Ao invés de fazer uma resenha do filme, o mais novo do diretor Soderbergh, decide reunir cinco questões e respondê-las a partir da coletiva que participei lá em Toronto, no Canadá, durante o TIFF (Toronto Film Festival). A repórter Mariana Shirai já havia feito uma resenha, que ainda pode ser lida online pelos assinantes!

Hoje, a matéria aparece em quarto lugar no google ao fazer a pesquisa "o desinformante"! Eba!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios: eu me rendo!

Ontem assisti ao último filme de Quentin Tarantino, o longa Bastardos Inglórios. A euforia por ver uma estreia tão esperada me fez esquecer algo importante: eu não gosto dos filmes de Tarantino. Ou melhor, eu não gosto mesmo é de Kill Bill, não posso ser taxativa assim com uma obra que não conheço tão bem.

Bastardos Inglórios tem um enredo incrível, cheio de reviravoltas, marcado por uma tensão que prende o espectador por quase três horas de filme sem que ele perceba. O story line da trama é a vingança dos judeus contra os nazistas. Bartardos Inglórios é o nome da trupe liderada por Brad Pitt, formada por judeus americanos que vão à Europa se vingar dos nazistas que ainda estavam no poder em alguns países daquele continente. Sem dó nem piedade, matam (quase) todos os discípulos de Hitler que veem pela frente. Paralela à jornada do grupo está a vida da judia Shoshanna Dreyfus (Mélanie Laurent), que vê a família metralhada, mas consegue fugir e refazer sua vida. Todos estão movidos pelo sentimento vivo da vingança.

Como é um traço bem conhecido de Tarantino, o filme é cheio de cenas de violência, que de tão nonsense acabam parecendo cômicas à plateia - mas não pareceram a mim. Ver as pessoas sorrindo ao final da sessão que termina com um homem tendo sua testa marcada a faca não me parece muito engraçado. Saí chocada do cinema, me arrependendo por ter presenciado tudo aquilo! Cabeças escalpeladas, golpes de bastão, muitos tiros, sangue e incêndio.

Não sou mesmo afeita aos filmes de ação, prefiro dramas, mas reconheço a importância de ter visto um longa assim. Gostando ou não, tenho que admitir que Tarantino fez uma de suas master pieces. E o fato de ter me chocado e despertado tanto repúdio mostra a força que a obra tem. É que prefiro sentir ternura ou alegria a nojo. E acredito que seja esse o intuito de Tarantino: fazer filmes chocantes e perturbadores. Mas cuidado, não vá ao cinema achando que verá um filme histórico, pois a briga entre judeus e nazistas é um mero recurso para ilustrar a trama mirabolante e sanguinária.

Christoph Waltz (foto) rouba a cena, como se diz. Brad Pitt, o garoto propaganda do filme, está ótimo como Aldo, líder do grupo judeu. Mas Waltz interpretando um coronel nazista muito perspicaz está insuperável.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O caso do despreparado dos professores de PORTUGUÊS de certo colégio americanense


"Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.(...)"


Hoje na aula de Jornalismo Literário, o professor Heitor Ferraz leu o poema O Caso do Vestido, de Drummond. O mineiro que a gente conhece como um velhinho magro, careca e de óculos marcou minha trajetória como leitora. Os primeiros livros de poesia adulta que li foram dele. Eu tinha uns 11 anos, e a simplicidade de Drummond me encantava. Não precisava ser lá muito erudita ou ter tanta bagagem pra perceber que ali tinha muita beleza.

Voltando ao poema que dá título ao post, O Caso do Vestido me inspirou a fazer uma adaptação para o teatro durante o último ano do colégio. Gostava bastante de escrever os roteiros e bem pouco de atuar - sempre fui muito ruim, era e continuo sendo (ainda que menos) tímida.

Submetemos a peça à avaliação de uma banca de professores que nos diriam se a apresentação seria no teatro municipal (de Americana, onde estudava) ou se no próprio colégio (como dá pra perceber, uma posição menos glamourosa). Foi uma decepção. Não fomos aprovadas, e o que mais doeu foi a justificativa de uma professora de português, vejam bem, de PORTUGUÊS, que disse: "No ano passado já tivemos uma peça com esse enredo, O Vestido de Noiva".

Aos 17 anos eu já sabia que esse texto é de Nelson Rodrigues e é uma peça e não um poema como o de Drummond! Infelizmente, a professora de PORTUGUÊS não sabia... Sabia muito menos que os enredos só tinham algo muito pequeno em comum: o vestido. Porque as histórias são bem diferentes.

ai, ai, desabafo!

* Sobre eu deixar de divagar publicamente ou colocar minhas inquietações aqui: era brincadeira! Já voltei atrás!

naosaiacomele.com.br

Um site "criado para a mulherada dividir suas decepções e revoltas com homens que não jogam limpo. Quem nunca sofreu ao descobrir que aquele príncipe encantado não passava de um sapo enganador e sem escrúpulos?"

Não saia com ele vale a pena, dá pra rir muito com as histórias e também com os comentários ("olha, acho que você não sabe prender um homem!"). O logo é uma caveirinha e um coração - oh, o que faz o amor!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

MUDANÇA!






O Tabuleiro em Pó foi criado em 2007, pouco depois que eu entrei no na faculdade. Já foram quase três anos desde então, e as minhas preferências mudaram - incluindo a mania de divagar publicamente. Minhas inquietações vão ficar para serem resolvidas no divã ou na mesa do bar, porque este espaço pretendo preencher com ideias e tendências - que tenham a ver com jornalismo, principalmente.

Pra começar, o logo do Google hoje (7 de outubro) é um código de barras... Quem é que inventa essas coisas? E quais são os motivos, os critérios?

Hoje quando você clicava no logo, ele pesquisava as palavras "code bar". Muitos logos dão links relacionados ao desenho.

No blog Epicenter, do site da Wired, tem alguns posts curiosos sobre o assunto. Um deles dá pista sobre um dos logos. Leia aqui.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O que eu faziam em... (anos 90)

1992: Meu irmão mais novo, Pedro, nasceu. Tentei insistentemente usá-lo como boneco nas minhas brincadeiras. Minha mãe me impediu.

1994: Usava batom de cor carmim da minha mãe. Não saía de casa sem. Aliás, não ficava sem nem dentro de casa. Hoje, raramente uso gloss, batom nem se fala. Estou à procura da vaidade perdida.

1995, 96: Jogava queimada na escola com bola de vôlei e nada de mão, pé e cabeça "frios". Os campeonatos que rolavam no Colégio Santo André, em S. J. do Rio Preto, eram barra pesada (até parece...).

Foi nessa época também que aprendi a virar estrela (aquela giro com as mãos apoiadas no chão). Custou uma noite de treino e muitos, muitos tombos na garagem de casa.

1997, 98, 99: Fui apresentada aos Backstreet Boys pelo meu irmão (prontofalei!). Ele adorava o clipe de "As long as you love me". Depois de comprar a primeira revista com a caras de Nick Carter e de seu irmão, Aaron (na época com 8 ou 9 aninhos ainda), estampadas na capa, eu me apaixonei. Perdidamente. Levaria essa loucura pelos próximos anos da minha infância e o começo da adolescência.

*Post com jeito de saudosista por causa do Babalu é Califórnia, novo xodó

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Gay Talese no Brasil: não os encontros em si, mas o jeito como eles aconteceram

Gay Talese me parece velho, mas não cansado. Tem expressividade na fala, nos gestos e um ar vivo nos olhos -- que são miúdos e cor de chumbo. Por duas vezes, eu o ouvi falar de perto. Na primeira, não tão de perto assim -- ele estava no auditório, enquanto nós o víamos pelo telão, na Flip, em Paraty. Da segunda vez, aí sim foi de pertinho, a menos de três fileiras no auditório do Masp, em São Paulo. A terceira vez acontece agora, pela TV, no programa Roda Viva, da Cultura.

Nas duas ocasiões em que eu o ouvi falar de perto, Talese tocou em tópicos parecidos -- ou foi incitado a falar sobre eles. Disse o que pensa do jornalismo de hoje e de tempos passados, como faz jornalismo e apura suas reportagens, como escreve. O jornalista tem um discurso que se repete, focado na importância de conhecer as pessoas de perto, de ter acuidade com o texto, de ter tempo e dedicar esforço para a apuração e de fiel à realidade.

Sobre os três encontros: mediação é TUDO

Em Paraty, a conversa foi entre Mario Sergio Conti e Talese. No Masp, o perguntador foi Ilan Kow. No Roda Viva, vários jornalistas questionaram Talese coordenados por Paulo Markun. Isso fez muita diferença.

Em Paraty, me senti assistindo a uma conversa entre dois bons amigos. Um falava mais do que o outro -- Talese, claro -- mas os dois tiveram tempo de exprimir suas opiniões. No Masp, entrevistado e entrevistador não pareciam falar a mesma língua (e não falavam de fato, mas as perguntas estavam sendo traduzidas simultaneamente para Talese).

A mediação no Masp ficou muito aquém. O entrevistado se esquivou de quase todas as perguntas e foi pouco questionado. A isso se prestaram os jornalistas presentes no Roda Viva, como é particular ao programa. Apesar de repetir muitos tópicos, como das outras vezes, Talese foi incitado a falar mais e falar diferente, o mais importante. Salvo algumas questões um pouco bobas -- especialmente em relação ao que ele pensa sobre a internet; Talese tem 77 anos e é, sim, averso às novas mídias.

Por que eu gosto dele

Porque ele diz mais ou menos assim (e se encaixa bastante com o que eu sei fazer e no que acredito):

- Jornalismo exige mais do que pergunta e resposta, exige observar os gestos, o ambiente, a linguagem corporal das pessoas.

- É preciso sair da agenda oficial, olhar em volta e ir em busca de gente comum.

- A principal contribuição do jornalista é encontrar boas e extradionárias histórias de gente de verdade e contá-las da melhor forma. (Por isso Talese nunca escreveu ficção).

- Não é possível encontrar todas as respostas no laptop, você tem que sair às ruas e ver o que acontece.

- E por que ele escreve, afinal? Porque é a forma como consegue expressar o que deseja da forma mais precisa possível.

Rabugento

Mais um trem chega à estação Vila Madalena. Um homem entra e se senta numa cadeira que fica num canto do vagão. O corpo dele, opulento, pesando por volta de 120 kg, ocupa mais do que uma poltrona. No espaço de sobra, ele coloca uma pasta de couro marrom -- combinando com os sapatos e com a jaqueta, também de couro marrom. Está vestindo um colete e calças da mesma cor, que se distinguem apenas pela estampa e pelo tom. Bigode e cabelos grisalhos, ralos, bochecha rosada num rosto redondo completam seu aspecto.

Por volta das 18h, o trem não costuma lotar naquela estação (a primeira da linha verde do metrô), mas as cadeiras ficam quase todas ocupadas. Apenas duas estão livres: uma preferencial e aquela ao lado do homem, onde está a pasta. Um rapaz se aproxima para se sentar ali, mas o homem logo o expulsa, aos gritos: "Vá procurar outro lugar!". Visivelmente constrangido, o moço responde apenas "o problema é seu", e sai do trem, desnorteado.

Mesmo depois de ter "expulsado" o "invasor", o homem continua a resmungar. Quando uma garota se aproxima para ocupar o assento, irrita-se e enfim decide se sentar na cadeira preferencial, unitária. Tira o jornal, parecendo intacto, de dentro da pasta, folheia-o, continua a resmungar alguns palavrões. Tosse com a agressividade fazendo um barulho danado. Ele ainda diz alguns outros xingamentos antes de eu deixar de ouvi-lo -- quando o trem é invadido pela multidão à espera na estação Consolação.